VATENOR
Todo
mundo já pintou e falou do caju, mas nunca com exclusividade como
Vatenor. “O tratamento do cajueiro como símbolo é uma exclusividade
minha”, diz Vatenor, o “pintor do cajus”, como é mais conhecido.
Isso pode parecer limitante, mas só o espectador comum, o “olhador
de quadros”, enxerga apenas os cajus. Alguém que entenda um pouco
de arte percebe logo que os cajus são a assinatura de Vatenor, que
retrata os mares, as dunas e os horizontes de Natal - lembranças
de sua infância - de maneira única.
Aliás, esta é uma curiosidade na história de Vatenor. Sua arte nasce e se desenvolve no Rio de Janeiro. Com 25 anos de pintura (completados em 99), só voltou para Natal há três anos. Considerado “um forasteiro” por alguns artistas locais que lhe torcem o nariz, Vatenor foi o único a mostrar as cores e belezas da cidade para o resto do mundo.
Em 69, Vatenor alistou-se para o Corpo de Fuzileiros Navais na antiga Capitania dos Portos, hoje Capitania das Artes, da qual é Administrador de Programas e Projetos Culturais. Serviu no Rio de Janeiro e depois de deixar a Marinha foi trabalhar numa casa de molduras, onde começou seu inusitado contato com a arte. Achava que o teatro poderia ser um caminho, mas a pintura falou mais alto e, autodidata, começou a pintar tentando copiar as obras de Van Gogh.
Resolveu mergulhar em suas reminiscências, em sua própria infância debaixo dos coqueiros e nas dunas de Jenipabu. Isso foi por volta de 76, quando os cajus passaram a dar a tônica de seus quadros. Em 82, depois de já ter exposto no Rio, no Paraná e na Califórnia, Vatenor conseguiu espaço na imprensa local, até então fechada às manifestações artísticas e culturais.
Em 96, voltou para Natal. “Foi meu desejo. Eu sempre achei Natal muito pobre em termos de cultura. Aqui não tem dificuldades. Você faz meia dúzia de quadros e já arranja um lugar para expôr. Em Natal todo mundo é artista. É preciso estabelecer critérios”. Em 99, Vatenor completa 25 anos de arte e, além de um exposição mostrando pelo menos uma obra de cada ano de sua trajetória na pintura, pretende lançar um livro com críticas e opiniões de várias pessoas sobre a sua obra.
Contatos com Vatenor: (084) 761.2989